miércoles, 2 de junio de 2010

REAL EXPRESSO

El presente trabajo es de nuestro nuevo colaborador Salomao Jacob Golandski, desde BRASIL.






História - Real Expresso




Os Pioneiros

José Augusto Pinheiro - Paixão precoce pelo transporte



José Augusto Pinheiro sempre se destacou pela precocidade. Quando garoto, seu maior sonho era dirigir um automóvel. Tinha dez anos de idade quando se ofereceu para lavar um carro de praça da sua cidade, Paracatu, Minas Gerais. O dono concordou, deu-Ihe a chance de ganhar seus primeiros trocados e ainda permitiu que ele começasse a fazer pequenas manobras no veículo. Foi assim que aprendeu a dirigir. Aos 12 anos, dirigia, como empregado, uma velha camioneta Ford 1929, percorrendo as poeirentas estradas que interligavam Luziânia, Planaltina e Formosa, em Goiás: era motorista de boiadeiro. Devido à idade, não tinha carteira de habilitação, o que, na época, não era fiscalizado nas estradas, principalmente no Planalto Central. Mas, em Paracatu, José Augusto se lembra de um delegado que sempre o "prendia" por dirigir pela cidade. Para fugir dessa vigilância, empregou-se como carroceiro, mas não ficou satisfeito, pois aquilo representava um retrocesso em sua recém-iniciada vida profissional.
Durante breve período, foi vendedor de uma loja de tecidos. Também não se adaptou. Sentia-se entediado ao ter que passar o dia inteiro medindo pano. Já naquela época, trazia o diferencial que separa os grandes empreendedores das pessoas comuns: a inquietação natural que o empurrava para cima, aliada a uma visão estratégica e a hábitos modestos, que mantém até hoje, permitindo-lhe sempre gastar menos do que ganhava.






Sensível à insatisfação do filho, sua mãe conseguiu que amigos assinassem um documento atestando sua competência como motorista e responsabilizando- se pelo seu comportamento ao volante. Com base nesse “Termo de responsabilidade" , a delegacia local concedeu-Ihe a primeira carteira de motorista. Tinha 14 anos. Até hoje José Augusto guarda uma cópia dessa carteira. Com ela, voltou à boléia do caminhão e despediu-se definitivamente da infância, passando a transportar materiais entre Patos de Minas e Paracatu, em um dos dois caminhões que o irmão tinha com mais três sócios. Algum tempo depois, o irmão transferiu-se para Patos de Minas e, enfrentando dificuldades financeiras, pediu-Ihe que trabalhasse sem ganhar por algum tempo, até a situação melhorar. "É por isso que, quando alguém me pergunta se eu realmente comecei do nada, eu digo que comecei um pouquinho para lá do nada", explica, divertido, José Augusto. Aos 17 anos, sempre com o irmão Elmo, que acumulava as funções de seu tutor - já que perdera o pai muito cedo -, aceita o desafio de um sobrinho do governador Benedito Valadares para transportar dormentes entre João Pinheiro e Catiara. Foi nessa ocasião que surgiu o Expresso Pinheiro. Seriam cinco anos de trabalho duro, ao fim dos quais conseguiria adquirir seu primeiro caminhão, um FNM 1956, e mudar de rota: passou a transportar charque de Minas para o Nordeste, enfrentando mais de 2.000 quilômetros de estradas de terra, poeira e lamaçais. De lá, trazia coco, tecidos das Casas Pernambucanas, cachaça e até passageiros, os paus-de-arara. "As viagens duravam um mês. Eu dirigia, era mecânico, cozinhava e descarregava o caminhão. As estradas eram trilhas. De Juiz de Fora até Três Rios, eram de paralelepípedo. Dali até Além Paraíba, havia um asfalto precário. Depois, asfalto novamente só perto de Recife", relembra José Augusto.


Essa aventura logo renderia frutos. Quando Juscelino Kubitschek assumiu a presidência da República, em 1956, e começou a construir Brasília, deu início também à construção da rodovia BR-040, ligando Belo Horizonte à futura capital brasileira. Os 750 quilômetros foram divididos em oito trechos, e licitados. Uma das empresas vencedoras, a STER, instalou em Paracatu sua base de operações. Precisava de uma empresa que fizesse o transporte de materiais entre o Rio de Janeiro e aquela cidade. O prefeito da cidade, Joaquim Botelho, indicou-o. É o próprio José Augusto quem narra: "Eu tinha já uma pequena frota com três ou quatro caminhões e precisei aumentá-la. Eu transportava também combustível, primeiramente do Rio de Janeiro, depois de Belo Horizonte e, mais tarde, de Uberlândia. E transportava todos os materiais entre o Rio de Janeiro e Paracatu."


Como já era piloto brevetado de avião - hoje, tem mais de 200 mil horas de vôo - recebeu tarefas de comprador. A bordo de um pequeno aparelho, voava para Belo Horizonte, São Paulo e Uberlândia, e tudo o que comprava era transportado pela pequena frota de caminhões até Paracatu. E o trecho da rodovia pôde ser construído exatamente no tempo previsto. A Expresso Pinheiro operou até 1960, quando encerrou suas atividades. Nesse mesmo ano, a vida de José Augusto teve nova inflexão; tendo se casado em 28/12/59, viajou a Brasília como parte de sua viagem de lua-de-mel. Quando voltou, já trazia na cabeça algumas alternativas de futuros negócios - um deles, o transporte rodoviário de passageiros. Chegava ao fim a primeira etapa da epopéia da construção da nova Capital do Brasil, com a inauguração em tempo recorde. Gente de todas as partes do país chegava ao Planalto Central e praticamente o único acesso era pelas rodovias recém-inauguradas. O caminho parecia claro: decidiu ingressar no transporte de passageiros, associando-se à Vieira Cia. Ltda., da Empresa São Cristóvão, que fazia a linha Patos de Minas - Brasília. Ele conta que a frota da empresa estava envelhecida e que ouve muitas dificuldades no Inicio. Aos poucos, porém, a frota foi sendo recomposta. Os ônibus a gasolina foram negociados substituídos por outros movidos a diesel. A empresa começou a prosperar e a produzir recursos. José Augusto pensou então na hipótese de crescer com a aquisição de mais alguma empresa. A primeira a ser sondada foi a Nacional Expresso, de Uberaba, mas a negócio não se concretizou. Ele e os sócios voltaram suas atenções para a Real Expresso. Em 10 de novembro de 1964, concretizou- se o negócio. Foi o maior celebrado até então no Triângulo Mineiro. Fundada em Uberlândia em 26 de outubro de 1953, a empresa tinha 41 ônibus, enquanto a São Cristóvão tinha 16, só que todos novos. A primeira providência foi introduzir na Real Expresso um novo estilo de administração, uma nova mentalidade empresarial. A sede da empresa era em Uberlândia e a da São Cristóvão ficava em Patos de Minas. Para deslocar-se mais rapidamente entre as duas cidades, José Augusto Pinheiro recorreu novamente ao avião, que ele próprio pilotava. Assim podia ir e voltar mais rapidamente também ao Rio de Janeiro, onde ficava a sede do DNER -o poder concedente. Desde então, a companhia jamais parou de crescer. Em conseqüência de cisões e também com a compra da participação de outros sócios, José Augusto torna-se o único proprietário. Depois disso, três caminhos começaram a ser trilhados simultaneamente: o da melhoria constante da qualidade e da variedade dos serviços, o da aquisição de novas empresas e o da aquisição de novas linhas por meio de licitações. Assim, as operações da empresa foram ampliadas não somente no Centro-Oeste, mas estendidas para o Norte e o Nordeste. Goiás, Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba, Acre e Rondônia são alguns dos Estados onde o Grupo Real Expresso está presente. É um conglomerado empresarial que emprega 4.500 funcionários. Suas 15 companhias, quase todas dedicadas ao transporte de passageiros e de cargas, movimentam hoje uma frota de 850 ônibus e 500 caminhões. Sob o comando de José Augusto Pinheiro, o Grupo também buscou a diversificação. Ele fala com muita satisfação da rede de revenda de veículos, com unidades espalhadas por vários Estados, e de outros negócios. Mas a Real Expresso continua sendo a menina-dos-olhos do fundador. Quando se pergunta a ele se o menino apaixonado por veículos algum dia sonhou em dirigir um grande grupo empresarial, esconde-se por trás da modéstia de mineiro do interior. "Meu horizonte era pequeno. Primeiramente, meu desejo era ser motorista assalariado. Depois, ter um caminhão usado, em sociedade com meus irmãos. Mais tarde, o horizonte se ampliou um pouco e eu queria ter um caminhão novo. A seguir, dois ou três caminhões...”Ao longo de sua trajetória empresarial, José Augusto Pinheiro tem se destacado também como líder classista. Foi um dos fundadores da Rodonal e seu presidente por dois mandatos consecutivos. Seja como associado, seja como presidente da Associação, contribuiu de maneira decisiva para viabilizar importantes conquistas do setor de transporte rodoviário de passageiros, graças não só à sua grande capacidade de trabalho, mas ao seu invejável trânsito nos campos empresarial e político.



Hoje, José Augusto Pinheiro tem como colaboradores diretos na co-direção das empresas do Grupo alguns membros de sua família, mais notadamente os filhos Eder Augusto, Taís, Adriana e o genro Carlos Gurgulino. Aos 71 anos de idade, ele não pensa em parar. Ao contrário, continua firme na condução de seus negócios, pois tem a convicção de pertencer a uma geração diferente de empresários. "Eu diria que há uma força que comandou e continua comandando todo esse processo: é o amor que cada um de nós tem à sua empresa.”

Fonte: Os Pioneiros – Encarte especial da revista ABRATI Nº 35

Recopilaçao: Salomao Jacob Golandski